Arquivo de maio, 2012

Um foguete para Plutão

Publicado: maio 30, 2012 em Contingência

 

Carta de Luiz Augusto Vitali – o Louis,

com respostas de Pastaboy.

 

Louis: Pastaboy, Estou em falta por não ter escrito aquele artigo pro tirania como combinamos no meu aniversário no ano passado.

 

Pastaboy: É verdade Louis. Já completou um raio de ano. Mas como diria o populacho, quem tarda não falha. Quem tem fome, tem pressa. Quem tem boca vai à Roma. Daí em diante.

 

L: Mas quero tentar compensar contigo indicando-lhe uma banda. Não sei se já conhece: Explosions in the Sky. Achei a tua cara.

 

P:Sensacional. Sério, que p*#% é essa. Vou tentar achar uma versão mais reduzida. Ou vai essa loucura mesmo.

 

L: Vai uma faixa do álbum deles de 2011 (Take care, take care, take care) pra sua degustação.

 

P: Essa música não é para ser escutada por qualquer desavisado, muito menos em qualquer momento. Mais especificamente, o momento apropriado para ouvi-la será quando você for embarcar num foguete, a destino de Plutão.

 

L: Abraço fraterno.

 

P: um beijo na bunda, Louis. Valeu demais!

 

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Pastaboy
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Longa Viagem Noite Adentro

Publicado: maio 23, 2012 em Contingência

Comecem, meus amigos, comecem a ler este post ouvindo esta música:

 

Não porque especificamente essa música vai mudar a vida de vocês. Mas porque o Beirut, especificamente, mudou os planos da minha vida, há uns cinco anos. E é melhor vocês escutarem o Beirut, se quiserem ler essas insípidas palavras.

Por que escutar Beirut? Porque Beirut FALA, por meio de sua voz triste e, mais ainda, de seu trompete enlouquecido, palavras que cravam fundo e nos levam por uma jornada numa terça-feira qualquer.

O convite vale à pena? Não. Mas nesta terça-feira chuvosa, dia 22 de maio de 2012, se não podemos chamá-la de terça insana, ao menos é uma terça convidativa a uma longa viagem noite adentro.

Há uns cinco anos, quando cruzava os sertões do Brasil, a bordo de um ônibus estapafúrdico, ouvindo Beirut, escolhi caminhos os quais mudaram os cursos das coisas. Não dos cursos do mundo, em si. Mas ao menos o curso das minhas coisas.

Quando você prioriza algumas decisões, uma coisa é certa, a vida lhe tirará todas os outros caminhos  que não cabem a você naquele momento.

E naquela noite, a noite de Alatriste, entorpecido pelo trompete cortante do Beirut, algumas coisas, alguns sonhos, foram tomados. Ou postergados.  (Para quem quiser, este é um curto conto sobre a noite de Alatriste, no blog do grande amigo Elder Galvão conto-de-natal-por-eduardo-pastore).

A vida é assim mesmo. Não dá para ficar reclamando, ou pior, achando que as outras decisões eram melhores. Aquela foi a SUA decisão. Daí em diante, como falou o velho arquiteto, é mulher do lado e seja o que Deus quiser.

Viagens são sempre um convite a examinarmos nossas decisões. O teto de um hotel. A paisagem que corre pela janela do ônibus. O mar de nuvens beirando as asas do avião.

Você escreve alguns planos em um guardanapo de posto. Amassa e joga no bolso. Aquilo tem valor?

Não sei.

O que sei é que a vida pode lhe tirar alguns sonhos, em troca de planos. É o preço. Mas não se pode apagar o que está escrito. O que está escrito são palavras.

E a última coisa que a vida  pode lhe tomar são suas palavras.

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Eduardo Pastore

Puta Que Pariu Vacão!!!

Publicado: maio 21, 2012 em Contingência
Por Cláudio Miccieli
– GroupLove: Outra música que me faz viajar e a Tongue Tide! Bicho essa música se tivéssemos um Dj competente/criativo e um pessoal mais criativo ainda para misturar, DJ (R&B Brasileiro e Americano), Rock (banda),  com Samba (Bateria de Escola de Samba) essa música seria a musica…
      Focando na música Tongue Tide. Cara que musicalidade e frescor de verão! E que coisa sexy é o vocal feminino… Fora que eles abusam de instrumentos não muito comuns como o xilofone… Que deu um puta charme para a musica…
      Mas, tente imaginar essa musica com uma bateria de samba fazendo toda parte de percussão e um puta baixo… E as batidas eletronicas pelo DJ cara ia ser um barato… E a vocal bem Sexy com cara de doidinha de cabelos lisos amarrados por um rabo de cavalo usando um Rayban colorido… Que tesão!

 

– Young&Giant: De novo eu falo sobre eles… Saiu o My Body e Apartment! Duas boas músicas! Apartment lembra um pouco a pegada dos Los Hermanos e My Body parece uma viagem de um adict por drogas… Pesada, densa mas não é chata ou de difícil degustação…

Pluto

Publicado: maio 15, 2012 em Contingência

Por Polliana Blans

Pensei, repensei e por várias vezes me vi repetindo “o que é que eu tinha na cabeça quando aceitei esse convite do Eduardo?”, mas assim, de repente, como numa inspiração divina em um dia péssimo de muito trabalho eu lembrei de uma banda muito legal que eu conheci quando eu morei na Nova Zelândia – há uns bons anos atrás.

A começar pelo nome. Pluto. Não, você não está na Disney. Nessa minha onda de Two Door Cinema Club, The Kooks, Foster the People, como eu tinha me esquecido da influência tão inglesa que o Pluto tem? Sem contar que o vocalista ama a música que canta e praticamente faz amor com o microfone. Isso é nítido nas suas performances. Acho que viver a música vai muito além de viver da música – e os caras gostam do que fazem.

No ano em que eu vi o show do Pluto em 2006, foi em um festival super legal que movimentava toda a ilha norte da Nova Zelândia – bons e memoráveis tempos – foi o ano em que a banda estourou. As músicas não paravam de tocar nas rádios e todo mundo só falava de Pluto. Inclusive, foi o ano que eles ganharam o prêmio de música do ano por Long White Cross, a minha escolhida –  neste link do my space:

Long White Cross

Acho que acabou rolando uma nostalgia. Mas confesso que foi muito legal relembrar de uma banda que estava completamente esquecida, reouvir os hits e descobrir as novas músicas que estão rolando. Numa pesquisa rapidinha no site vi que agora eles entraram numa onda independente – gravadora independente e por aí vai. Minha paixão aumentou! De novo: viver a música vai muito além.

Chega de post. Eduardo, amei o convite e seu blog é, se me permite, do caralho! Claro que minhas simples palavras  (blá blá blá), mas espero que seus leitores curtam o Pluto assim como eu. Valeu!!! =)

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Jack White, Guitarras e Sangue

Publicado: maio 10, 2012 em Contingência

Jack White está de volta. Na verdade, não é certo falar que ele está de volta. Já Que nunca vai embora da cena. O sujeito está sempre metido em um monte de confusões musicais. Faz tudo do seu próprio jeito:
– Sacode a poeira do rock só com uma guitarra e uma garota na bateria. Que nem é lá essas coisas como baterista;
– Chama um monte de amigos famosos e faz uma banda;
– Chama um monte de desconhecidos e faz outra banda;
– Toca guitarras de brinquedo.

Falando em tocar guitarra, se você gosta dessa coisa, ou, se mais especificamente, é completamente apaixonado e fica alucinado ou alucinada quando vê uma, faça um favor a si mesmo: veja “A Todo Volume”.

É um documentário que junta o The Edge, o Jimmy Page e o Jack White. Mostra as visões dos três sobre o consagrado e barulhento instrumento. A primeira cena é o Jackzão, a lata do Edward Mãos de Tesoura, num curral, ou num pasto, sei lá. Segue daí que ele pega uma tábua, martela um prego, coloca um captador tirado de um liquidificador e amarra um arame, de ponta a ponta, na tábua. Liga a tábua no amplificador do curral e faz um solo destruidor com um slide enferrujado. Termina, e pergunta à câmera: “Who said you need money to have a guitar?”

Depois aparece o The Edge explicando a sua montanha de efeitos e pedais, é uma parede do tamanho de dois homens. O cara é uma espécie de matemático da onda sonora. Todo doido.

E a câmera volta ao Jack, cuspindo algo como “usar efeitos é coisa de farsante”. Ele pega uma guitarra de brinquedo, a mostra ao filho e ensina:  “você tem que brigar com a guitarra, como numa luta de boxe. Apanhar, apanhar e apanhar. Ir à lona. Até vencê-la.

Não vi o documentário inteiro. Mas a última cena que me lembro é o Jackzão tocando num pub sujo, fazendo um solo arrancado das pedras. Voava sangue de seus dedos, tingindo a guitarra de vermelho.

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Duas músicas do novo álbum solo dele, o Blunderbuss.

1) Uma para quem quer sacar a guitarrada de Jack:

http://www.youtube.com/watch?v=SZ-BKq1jc-w

2) Uma balada de blues, boa daquelas:

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Eduardo Pastore

O Baile da Barba

Publicado: maio 7, 2012 em Contingência


No fim das contas, levaram minha barba embora. Quem levou? A maré, o tsunami. O vento. Tanto faz. Foi uma espécie estranha de sacrifício, por um pagão ter se infiltrado em um culto à parte. Um preço a ser pago.

Já na porta do show, com las barbas em mãos, apenas fazíamos uma certa ideia do tipo de evento que estávamos invadindo. Esperava – ainda que tenha o costume de esperar muito pouco das coisas – o que se pode esperar de qualquer show: fãs de toda sorte, alguns cantando e a grande massa farreando, em meio ao torpor.

Mas aquela plateia era de alguma maneira diferente. Havia sim o torpor. Sempre. Mas não o habitual entorpecimento individual, fruto do hedonismo a flor da pele. Era um fervor coletivo. Mais típico dos cultos religiosos, onde o fervor rompe garganta afora, à prova de qualquer afinação.

Era mais ou menos assim: TODOS os fãs sabiam cantar TODAS as músicas, e ainda por cima cantavam a música TODA. Coisa de louco. Não sabia que alguém fosse capaz de tal feito.

Claro, não conseguimos participar da cantoria. Então resolvemos nos concentrar em promover o grande baile da barba.

Las barbas pulavam. Passavam de boca em boca. Iam de lá pra cá, de cá pra lá. Do cabelo ao sovaco, do sovaco ao umbigo. Daí a baixo. Verdadeiras samambaias negras com vida própria.

Até nos pediram para tirar fotos com las barbas. À sombra da grande Lua redonda que iluminava o céu acima de nossas cabeças. Neste exato instante, las barbas estão em algum álbum de perfil de Facebook deste cerrado velho.

Nunca, asseguro, sequer se passou na cabeça de um transeunte parar este cidadão que escreve e pedir para tirar uma foto. Não haveria tal porque, e se o caso fosse, eu mesmo perguntaria ao mentecapto: está louco?

Dada foi a grandeza da barbada pagã que promovemos por lá, que continuo sem saber um refrão, um verso, uma rima dos Los Hermanos. Se houvesse outra turnê daqui a 15 anos, sei que não teria tempo o suficiente para decorar as músicas.

Restaria apenas rezar pro vento me devolver a minha samambaia ambulante. E partir pro baile da barba.

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Eduardo Pastore

Brazuca neles! Criolo

Publicado: maio 4, 2012 em Contingência

Atendendo a justíssima conclamação do Sr. Pastore,

Falemos, exaltemos e esculachemos mais a nossa música!

Vamos exaltar então uma “novidade” que muitos já ouviram e até já são Fans: Criolo, que já foi Criolo Doido.

Uma mistura de Rap, Samba, Bolero e o que mais agente puder diagnosticar acontece em seu album de estréia: “Nó na Orelha”

Suas letras já foram cantadas por uns tais Chico Buarque e Caetano Veloso…

E ele explodiu para na internet com “Não existe amor em SP”, que faz a SAMPA de Caetano parecer uma menininha inocente com medo da selva de pedra.

Experiência única ouvir esta música num busão em Sampa. Marca a vida, sério.

 

Ah, para os de Brasília, tem show dele no dia 27.05 no CCBB.

Não Existe Amor em BSB

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Márkel Oliveira

Por Juliana APUD Marina

Fala Vaca, beleza?

A Ju me apresentou essa banda e eu pirei. Muito boa, bem ao estilo mix antropofágico que gosto.

Enfim, acredito ser um bom conteúdo para seu blog.

E eles vão tocar em Brasilia no Arena dia 11!

Abraço.

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Nota de agradecimento

Meninas, obrigado por nos trazerem sugestões brasileiras. Caros leitores, entendedores de produções tupi guaranis, nos ajudem, assim como as meninas.

É latente que o nosso faro para nacionais é pra lá de esculhambado. Decorrente, talvez, de um saudoso pé no chão de cimento liso, famoso vermelhão. Não é por falta de gosto, não. Gostamos de tudo feito nesta terra. Mas o coração aperta mesmo quando toca Calcinha Preta e Aviões do Forró. Ôh falta do Norte e dos bailes de coxa na coxa. Que saudade.